Teoria do não-objeto (fichamento)

No texto Teoria do Não-Objeto, Ferreira Gullar apresenta a ideia de que o não-objeto não é o contrário de um objeto, não é um "anti-objeto'', mas sim uma nova forma de se fazer arte: é uma presença que se mostra diretamente aos sentidos, sem precisar de explicações ou de um uso prático, um propósito. Diferente dos objetos comuns, que têm funções e nomes, o não-objeto é percebido de forma livre, sem essa ligação com o cotidiano.
A principal diferença entre o objeto e o não-objeto é que o objeto é fechado em si, ligado a seu uso e significado prático, enquanto o não-objeto se apresenta de maneira aberta, sem essa barreira, permitindo uma relação direta com quem o vê. Também se diferencia das obras de arte tradicionais, que representavam coisas do mundo, enquanto o não-objeto simplesmente se apresenta, sem representar nada.
Gullar mostra que essa mudança na arte começou com o Impressionismo e o Cubismo, mas ainda restava ali uma ligação com a representação. Para ele, o não-objeto surge de verdade nas vanguardas russas — como nos contra-relevos de Tatlin e nas arquiteturas de Malevitch — e se desenvolve no Neoconcretismo brasileiro, com artistas como Lygia Clark e Amilcar de Castro. Nesses casos, a arte deixa de ser representação e passa a ser uma presença real no espaço, convidando o espectador a participar e completar a obra.

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